2 de abril de 2025

O presente de Natal

Por Glauco Felipe

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Inevitável por-se a refletir sobre o que seja essa data quase universal, em que as famílias se reaproximam. Ou que as pessoas celebram e também lamentam um passado que se recaiu em melancolia e lembranças, especialmente dos que se foram…

Seja como for, o natal é um reviver, reencontrar e reprogramar os dias que certamente virão.

Particularmente, os verdadeiros valores de natal para mim são muito fortes. “A resistência” ao tacão do autoritarismo de Estado; “O amor e o afeto” de acolher o filho bastardo que não muito mais tarde seria entregue como sacrifício de amor pleno e maior: preso, tratado como se bandido fosse, injustamente condenado à tortura até a pena capital da morte, pela “salvação da humanidade” (que talvez seja o deslinde de todo e qualquer significado).

Como se sabe, a sagrada família fugiu do decreto de Herodes, rei da Judeia, que mandou que se fizesse o massacre dos inocentes. A morte de todos os meninos de até 2 anos de idade, de Belém, para evitar que ele, Herodes, perdesse o trono para o recém nascido e anunciado Messias, o rei dos judeus, Nosso Senhor Jesus Cristo. De imaginar que ainda hoje alguns de seus súditos (os judeus) o renegam.

Mas, o foco é a beleza da infração à lei humana que somente a biografia do Cristo poderia provocar. Do seu nascimento até a sua morte: um desafio; uma transgressão; resistência; desobediência civil; um delito de descumprimento; a quebra da ordem estabelecida; a revolução que sucumbiu e ironizou o poder instituído da época. Nada mais doce do que saborear esse natal que é revolucionário e libertador.

De mais a mais, José Saramago, nobel de literatura, foi excumungado da Santíssima Igreja Católica Apostólica Romana por escrever a obra “O evangelho segundo Jesus Cristo”. Nesse livro, no capítulo inicial, a concepção do filho de Deus é narrada como uma relação extraconjugal quase inocente da adolescente Maria com um viajante, transeunte que, no evagelho cristão, viria a ser interpretado como o anjo Gabriel. Saramago humaniza a santíssima história com um talento descritivo/narrativo que só mesmo um nobel de literatura poderia nos legar. Gostem os fieis ou não aquele outro José, pai de Jesus, é quem acolheu um filho que seu não o era ou não o foi. José é figura sagrada que exerce a chamada paternidade afetiva. O que nos leva à certeza de que o amor, o carinho e a dedicação à vida de outra pessoa não é algo consanguíneo ou da genética. Amar, acolher, criar, deferir afeto e dedicação é uma escolha.

Por essas escolhas: de resistir, perdoar, amar, acolher e vir ao mundo crendo na promessa de salvá-lo e, especialmente, os homens, os seus moradores… Na beleza desses valores enxergo o natal e o vivo com muito carinho! Desejando a vc, leitor, dos meus mais considerados e caríssimos contatos (do telefone, da rede social, da vida ou o que o valha): um dia todo especial. Cheio de paz, valor agregado, amor, significado e carinho.

Feliz natal!

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