4 de abril de 2025

OS DESAFIOS DO NOVO CICLO GESTOR MUNICIPAL NA SAÚDE PÚBLICA NO CENÁRIO PÓS-PANDEMIA

Por: Danianne Marinho e Silva

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A pandemia de COVID-19 trouxe profundas transformações e desafios para a gestão da saúde pública no Brasil, especialmente no âmbito municipal. O cenário pós-pandêmico, impôs aos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), o enfrentamento não apenas do impacto epidemiológico da crise sanitária, mas também uma complexa conjuntura político-financeira que tem dificultado a oferta de saúde cumprindo os princípios constitucionais do Sistema.

Essa miríade de adversidades, exige a atuação de gestores exponenciais, capazes de inovar, líderes com agilidade e promoção de ações estratégicas, essenciais para superar os obstáculos e garantir eficiência e resolutividade. Em início de mandato é possível identificar os principais desafios do ciclo gestor atual, abordando a reestruturação dos serviços de saúde, a necessidade de equilíbrio financeiro e a importância da governança colaborativa.

E um dos principais desafios no ciclo pós-pandemia com toda certeza será a reestruturação dos serviços de saúde. A COVID-19 descortinou fragilidades históricas do SUS, como a precária infraestrutura e a sobrecarga de serviços. Corroborando com as mazelas do passado, houve o aumento das demandas reprimidas, devido ao adiamento de consultas, exames e cirurgias durante a pandemia, que agora exigem respostas rápidas e eficazes. Só um gestor com mentalidade exponencial saberá se utilizar de ferramentas de gestão modernas e eficientes. É preciso se apropriar de tecnologias como a inteligência artificial, a telemedicina, implementar modelos inovadores de atenção primária e especializados para atender às necessidades da população, reduzindo desigualdades e garantindo acesso universal à saúde.

Outro obstáculo significativo na gestão municipal neste novo ciclo será o equilíbrio financeiro, agravado pelo aumento de despesas com saúde e pela queda de receitas decorrente da retração econômica pós-pandemia. Muitas cidades têm enfrentado dificuldades para arcar com os custos crescentes de medicamentos e outros insumos, ao mesmo tempo em que é preciso investir na modernização da infraestrutura da rede de saúde no cumprimento das regras sanitárias. A busca por parcerias público-privadas (PPPs) e a otimização de processos administrativos são estratégias indispensáveis para gestores que desejam manter a sustentabilidade do sistema e garantir a continuidade dos serviços.

A complexidade dos desafios exige que os gestores municipais adotem uma postura de liderança colaborativa e exponencial. É preciso mobilizar atores sociais, como organizações não governamentais, universidades, entidades representativas, a classe empresarial e os Conselhos de Saúde, para o desenvolvimento de soluções coletivas e integrativas. É fundamental adotar práticas com transparência e participação social, promovendo uma gestão democrática e lincada às reais necessidades da comunidade. Um gestor exponencial deve ainda ser capaz de tomar decisões com evidências baseadas em dados nos Sistemas de Informação em Saúde (SIS), fomentando a inovação e adaptando-se rapidamente às mudanças no cenário político e econômico.

O novo ciclo gestor municipal de saúde pública apresenta grandes desafios, que que irão além do enfrentamento epidemiológico. Perpassa pela necessidade de uma gestão político-financeira eficiente e colaborativa. Para superar essas barreiras, é necessário que os gestores adotem práticas exponenciais, combinando inovação, liderança estratégica e engajamento social. Só assim será possível transformar a saúde pública municipal, garantindo qualidade, equidade e sustentabilidade para as próximas gerações. Em um cenário de incertezas, o gestor exponencial emerge como um personagem necessário e central na construção de um sistema de saúde verdadeiramente universal, integral, equânime, resolutivo e democrático.

Escrito por:
Danianne Marinho e Silva | @marinhodna

Bacharel em Fisioterapia, especialista em gestão hospitalar e em regulação no SUS. É consultor de Gestão em saúde e Membro Associado da Federação Brasileira de Administração Hospitalar.

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