2 de abril de 2025

SODA CÁUSTICA NA FERIDA: o torcedor quer título, não quer desculpas.

Por: Glauco Felipe

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São raras as ocasiões na vida em que o inacreditável acontece. Na fé e no futebol, o impossível pode se tornar verdade em questão de segundos. Era uma ensolarada tarde de domingo, 30, quando aconteceu no Serra Dourada, em Goiânia, o 2º jogo da final do Campeonato Goiano 4Play 2025.

Na capital, 4 mil torcedores do Anápolis FC estavam entusiasmados e cheios de expectativa. O time foi o líder da 1ª fase do campeonato e abriu uma vantagem de 2 gols no 1º jogo da final, em casa, contra o Vila Nova. Há 60 anos, o Galo não sabe o que é ganhar um campeonato estadual. Em 1947, reivindica o título de campeão, o que lhe é denegado até hoje pela Federação. Essa coluna não pode confirmar se a diretoria do tricolor da Boa Vista já moveu alguma ação declaratória para assegurar a primeira conquista histórica na Justiça. Mas, todos confirmam o título do Galo de 1965. Ontem, foi a 9ª final de campeonato estadual pro Anápolis. A penúltima disputada foi a exatos 9 anos, em 2016.

No estádio, o torcedor do Anápolis enfrentou dificuldades logo no início. O calor intenso de Goiânia acumulou 4 mil pessoas em frente a um único portão por onde todos deveriam passar por apenas 8 catracas, das quais somente 3 estavam funcionando a aparelhagem de “reconhecimento facial”. Idosos passaram mal. Vi com esses olhos que a terra há de comer pelo menos uma mulher e um homem que foram socorridos às pressas, por alguma oscilação de pressão, hipertermia… essas coisas que acontecem quando seres humanos são submetidos a situações extremas. O pior ainda estava por vir.

O Serra Dourada que comemorou os seus 50 anos de construção exatamente nesse mesmo jogo, logicamente, é um estádio antigo. Mas, não no bom sentido histórico da palavra. As acomodações são velhas, inadequadas. Concreto brutalista com instalações elétricas expostas, aparentes e bastante complicadas: muitos fios e tomadas e encanações, tudo muito bagunçado… retrato do também velho conhecido descaso com a coisa pública brasileira. No setor do estádio destacado para o time visitante, apenas um único caixa de um único bar. Atendimento péssimo. Demanda altíssima. Estoque insuficiente.

Apesar do calor extremo, não havia distribuição de água gratuita e nem tampouco ilhas de hidratação suficientemente bastantes. A acessibilidade também deixou a desejar. Apenas 2 entradas para as cadeiras, com 4 escadas desacompanhadas de corrimão distribuíram todos os torcedores pelos assentos sujos e antigos de metal… A bem da verdade, não ter acontecido um colapso com as pessoas ali é uma sorte do acaso que todos nós tivemos. Especialmente a torcida esperançosa do Anápolis.

No aquecimento, porém, a sorte já começou a faltar com o clube do interior. Igor Cássio, ex-Botafogo, homem gol do Galo, artilheiro do campeonato goiano… sente uma lesão e fica de fora da partida. Ainda no aquecimento, um desentendimento entre os jogadores começa um clima de animosidade que tensiona a rivalidade.

Presentes, gritantes e confiantes, lá estavam os torcedores de Anápolis acreditando no título, pelo 1º tempo da partida em que o time defendeu e marcou pressão, mantendo a bola na intermediária… Porém, o Anápolis, infelizmente, não entrou em campo para ganhar no tempo final da última partida. Numa postura clara antijogo de quem quer segurar o resultado, a coisa foi ficando a cada minuto mais difícil de assistir: chutão pra cima, jogador caído e um domínio colorado cada vez mais embalado pelo 12º jogador: a torcida de uma nação de mais de 33 mil vilanovenses.

Ângelo Luiz, técnico do Anápolis, que durante a semana deu declarações na imprensa de que curaria a ferida de 60 anos sem um título no clube… esquece da promessa de restauração. Mexe no time e abaixa as linhas de marcação da defesa. Samuel (herói do 1º jogo, autor daquele 2º gol de cobertura) sente e pede pra sair. O técnico tira o camisa 10, Ariel, muito bem marcado pelos adversários e sem fazer uma boa partida… Mas, não o substitui pelos outros atacantes que entraram tão bem em outros jogos da temporada (Rafael Mineiro, Pepê, Erick Daniel, Ferrugem…)

O professor só coloca Vini Locatelli para substituir o volante titular do time aos 28 do 2º tempo… Oportunidade em que o Vila já ganhava de 1 x 0 (primeiro gol aos 17’). No minuto seguinte, o Anápolis toma mais um gol (o segundo bem acertado, num drible de Igor Henrique que tirou a zaga, seguido de um chute indefensável). Outra substituição consideravelmente infeliz foi a entrada do zagueiro Renan que fez contra o próprio patrimônio, evitando que a decisão fosse para os pênaltis, aos 6 minutos de acréscimo do 2º tempo, fuzilando o Anápolis na derrota por 3×0 do segundo jogo. Virada do Vila de 3×2 no placar agregado.

Em entrevista à rádio CBN, após o fracasso, Ângelo Luiz enalteceu a campanha do time, mas, pediu desculpas ao torcedor pelo vexame. Ele não quis comentar a postura entreguista, pipoqueira, inacreditável de uma equipe que, infelizmente, abandonou o equilíbrio mental de quem ganhou por 2×0 com um jogador a menos em Anápolis… Frustrando todas as expectativas de uma mentalidade campeã e vencedora.

Alguém precisa se dar conta de que o torcedor apaixonado recusa essas desculpas. O torcedor sofrido declina toda e qualquer tentativa de justificar o injustificável. O torcedor quer título. Não quer desculpas!

No dia 19 de abril próximo, a saga do Galo da Comarca continua, quando vai enfrentar o CSA (Centro Sportivo Alagoano) em Maceió-AL, pela primeira partida da Série C do Brasileirão. Tomara que vá pra cima deles. Sem fraquejar. Sem entregar. Sem desculpinha.

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